Agora: A participação feminina no mercado de energia solar

Desde o início da existência da humanidade, seu desenvolvimento está associado em grande parte ao uso de diferentes formas de energia, segundo a disponibilidade de cada momento e lugar.

A energia elétrica é, sem dúvida, um vetor de desenvolvimento social e econômico de um país.

O mapa da exclusão elétrica no Brasil revela que as famílias sem acesso à energia estão majoritariamente nas localidades de menor IDH (índice de desenvolvimento humano) e nas famílias de baixa renda (Brasil, 2019).

O Brasil demorou a “deixar” a visão monoenergética quando comparado aos demais países devido à abundância hídrica que o mesmo possui.

No entanto, devido ao apagão de 2001 teve que adotar uma nova postura, e com isso hoje em dia temos a energia eólica já estabelecida e a energia solar fotovoltaica crescendo exponencialmente.

Da mesma forma, há evidências de que  a diversidade em espaços importantes de decisão aumenta a eficiência da própria ciência produzida, já que a visão diversa e plural enriquece as possibilidades e aumenta o número de soluções, o que leva, inclusive, a impactos no mundo econômico.

Considerando os 17 objetivos para o desenvolvimento sustentável propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU, 2015) identifica-se que a utilização da energia solar e a erradicação das  desigualdades de gênero estão representadas por mais da metade destes (8 dos 17 objetivos).

A Rede Global de Mulheres para a Transição Energética (Global Women’s Network for the Energy Transition – GWNET, 2020) afirma que “a diversidade e a inclusão são primordiais na transição para as energias renováveis. Se a diversidade de gênero não for priorizada não ocorrerão mudanças”.

Além disso, uma pesquisa realizada pela Agência Internacional de Energia Renovável (Irena) sobre a perspectiva de gênero, aponta que as mulheres ocupam aproximadamente 32% do mercado de trabalho no setor de energias renováveis.

Quando falamos especificamente do setor solar, uma pesquisa realizada pela GWNET, aponta para 20% da participação feminina. Delas, 11% atuam na parte técnica e 50% na parte administrativa.

Contudo, a análise realizada pela Irena demonstra ainda que, do total de entrevistados, 75% das mulheres relataram a existência de barreiras à entrada e ao seu desenvolvimento no setor. A mesma visão é compartilhada por 40% dos homens.

Entre os itens que barram o desenvolvimento de carreira das mulheres no setor de energia renovável estão normas culturais e sociais, falta de flexibilidade no local de trabalho, falta de treinamento, falta de oportunidades, entre outras.

Sobre a questão salarial, 60% dos homens afirmam que há igualdade de salários entre mulheres e homens ante 29% das mulheres.

Conforme o levantamento, a maior participação das mulheres no setor de energias renováveis asseguraria uma distribuição equilibrada das oportunidades socioeconômicas para a transformação global da energia.

No Brasil tem-se notado uma tendência de aumento da atuação das mulheres na área de energia. Por exemplo, no VII Congresso Brasileiro de Energia Solar (CBENS), em 2018, 27% dos participantes eram mulheres.

Este número é significante em comparação com outros números supracitados, porém ainda é uma fração pequena no setor.

Com o objetivo de incentivar a participação feminina no setor de energia solar e buscando compreender a visão de uma mulher que está inserida neste mercado que cresce a cada dia mais, entrevistamos Amanda Durante, Diretora Comercial da Flux Energy, confira.

Amanda, como você começou sua trajetória profissional no setor de energia solar?

Comecei sendo uma representante que vendia economia de energia para as pessoas, na época não sabia nem o que era kWh. Mas com o tempo tive que ir aprendendo, e hoje, graças a Deus, dou treinamentos a respeito disso e realmente amo o que faço.

Como  tem sido sua experiência no setor de energia solar?

Tem sido maravilhosa, amo pensar que estou ajudando as pessoas a economizar, e além disso estou ajudando o planeta com uma energia totalmente renovável.

Como é estar a frente do comercial de uma startup como a Flux Energy?

É muito satisfatório. Eu vim de um ambiente corporativo muito pesado, com metas e muita pressão, e hoje, estar à frente de uma startup como a Flux que nasceu para estar presente todos os dias na vida das pessoas, de uma forma especial, trazendo alegria, economia e sustentabilidade, foi realmente um presente de Deus para mim.

Como você avalia o setor de energia solar durante o tempo que está atuando no segmento?

É um setor com um potencial de crescimento explosivo! A China atualmente lidera esse setor e eles têm conseguido diminuir a emissão de carbono na região substancialmente. Atualmente a energia solar representa 1,5% do potencial energético brasileiro, ou seja, ainda temos muito campo para crescimento.

Como você enxerga a participação feminina no setor de energia solar?

Acredito que isso é algo que devemos deixar fluir, com um tempo cada um vai se encaixando no seu lugar. E para mim, isso envolve muito a competência do indivíduo, homem ou mulher, se for competente e profissional, conseguirá alcançar um ótimo lugar!

Você já sofreu alguma forma de discriminação por ser uma mulher que está atuando no comando de diversas atividades?

Não direta, mas, vemos que as pessoas têm uma certa dificuldade de te ver como autoridade. Porém, acredito que isso pode ser por causa da minha idade também, sou nova, e entendo a dificuldade das pessoas, não as julgo por isso.

Quais barreiras você enxerga que mulheres que querem ocupar cargos de chefia precisam superar? 

A principal barreira é de como a mulher se vê, e diz a respeito dela. O homem mais rico e sábio que já viveu na terra, Salomão, disse que na sua “língua” você tem o poder de construir ou destruir. Por isso, acredito que enquanto a mulher continuar dizendo: “Nossa, como é difícil ser mulher, ninguém me respeita..” ela continuará recebendo isso. Então, as mulheres precisam mudar a sua mentalidade a respeito disso. Deus me fez perfeita para onde estou, me formou de uma forma assombrosamente maravilhosa, para crescer, ter autoridade e prosperar, então é isso que viverei!

Qual o conselho que você dá a mulheres que estão começando sua trajetória no mundo do empreendedorismo?

O que eu digo é: Pare de se lastimar, acredite que quem te criou, fez você perfeita, capaz, inteligente, te fez para crescer, para ter autoridade sobre situações, te fez para  avançar! Então avance, faça o que está ao seu alcance hoje! Não pense no “e se”, “e se me pagassem mais”, “e se me valorizassem mais” faça o que precisa ser feito e acredite em mim, Deus irá te colocar no lugar certo, com pessoas certas e te levará a lugares altos.

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